Escrever revela-me o pensamento. E já não me revelo, ordeno, ou escrevo, há demasiado tempo. Fui procurar o último artigo e percebi que, desde uma das maiores perdas da minha vida, instalou-se um silêncio estranho e quase constrangedor.

Desde que há vazio da matéria de que eras feita, veio essa ausência, esse espaço (E tu tinhas sempre tantas palavras, tanto a dizer).

Na verdade, percebo agora que, neste tempo e espaço profundo, ora sombrio, ora revelador, me estive, e continuo, a organizar. Para já só saem estas linhas confusas e, como o meu pai diz, de não se perceber nada.

Mas continuo a escrever.. sem filtros e sei que, nesse espaço que deixaste, estabeleci diferentes prioridades e encontrei formas de sentir mais apreço e compaixão por mim. Reencontrei mais respeito pelos meus ciclos, pelo meu corpo.

No dia-a-dia, conto do meu impulso e insistência em manter o sorriso da existência. Estas palavras, contam das minhas ondas emocionais, das minhas espirais, curvas e cruzamentos de emoções, das dúvidas e do nó na garganta de muitos gritos contidos. Aqui,  junto letras e revelo pensamentos que me levarão para mais perto da essência, de Deus.

As palavras ordenam-me e dão-me possibilidades. Continuam a curar-me. Mas só mais um pouco, ainda estou nos primeiros passos…Volto Já!

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